DEI na prática: Como a Diversidade, Equidade e Inclusão elevam a qualidade do software

Entenda como os princípios DEI foram incorporados à arquitetura do Lápis 360 e do Gestão 360 – Social, gerando impacto real na experiência dos usuários, na conformidade legal e na qualidade do atendimento.

No desenvolvimento de software para gestão educacional e social, cada decisão de produto carrega implicações que vão muito além do código. O modo como um sistema exibe um nome, trata o sexo biológico, o gênero, organiza um formulário ou redige uma mensagem automática pode incluir — ou excluir — pessoas. A Seta Sistemas reconheceu isso como um problema técnico e ético ao mesmo tempo, e respondeu com uma abordagem estruturada: sua Política Institucional de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI).

Este artigo detalha como essa política foi traduzida em funcionalidades concretas nos produtos Lápis 360 e Gestão 360 – Social, e porque esse compromisso melhora objetivamente a qualidade do software e do atendimento prestado pela empresa.


O que é a política DEI da Seta Sistemas?

Formalizada desde abril de 2020 e atualizada em novembro de 2025, a Política DEI da Seta Sistemas reafirma o compromisso institucional com o respeito a todas as pessoas, independentemente de gênero, identidade, expressão, orientação, origem ou crenças. Esse conjunto de valores integra o eixo Social (S) das práticas ESG aplicadas em todos os produtos e relacionamentos da empresa.

O que distingue a abordagem da Seta Sistemas é sua natureza técnica e pragmática: DEI não é tratado apenas como um manifesto de intenções, mas como um conjunto de requisitos funcionais que orientam decisões de UX, banco de dados, nomenclatura de campos, acessibilidade e conformidade documental.

“A não utilização de linguagem neutra não representa oposição à diversidade. Ao contrário, preserva a segurança jurídica, a acessibilidade, a integridade documental e o respeito às normas oficiais, ao mesmo tempo em que a Seta Sistemas mantém seu compromisso firme com inclusão, equidade e dignidade humana.”— Política DEI, Seta Sistemas (Novembro/2025)


Nome Social como nome principal: uma decisão de arquitetura de dados

Uma das implementações DEI mais impactantes nos softwares da Seta Sistemas é o tratamento do Nome Social. Em vez de adotá-lo como um campo auxiliar ou uma anotação secundária — como ocorre na maioria dos sistemas do mercado —, a Seta Sistemas tomou uma decisão arquitetural relevante:

O Nome Social é tratado como o nome principal da pessoa, sendo exibido em todos os módulos, telas, relatórios operacionais e interações do sistema. Para fins legais e administrativos, foi criado o campo denominado “Nome no Registro”, equivalente ao nome civil constante nos documentos oficiais.

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Nome Social como padrão

Exibido em todas as telas do sistema, sem distinção ou marcações que sinalizem “diferença”.

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Nome no Registro

Campo específico para documentação legal, prontuários e relatórios oficiais com integridade jurídica.

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Conformidade dupla

O sistema respeita a identidade da pessoa e cumpre simultaneamente os requisitos legais e de auditoria.

Essa abordagem vai além da obrigatoriedade legal. Ela elimina situações constrangedoras em que usuários são expostos ao nome de registro em contextos cotidianos do sistema — como chamadas, notificações e listagens —, enquanto mantém a rastreabilidade necessária para documentos formais.

Do ponto de vista técnico, essa separação exige modelagem cuidadosa de banco de dados, lógica de exibição condicional por contexto e uma política clara de qual campo prevalece em cada tipo de saída do sistema. É engenharia a serviço da dignidade humana.


Política Linguística Técnica: Acessibilidade e conformidade normativa

Um aspecto frequentemente ignorado em discussões sobre DEI no software é o impacto da linguagem na acessibilidade técnica. A Seta Sistemas adotou uma posição clara e fundamentada: utilizar exclusivamente as formas reconhecidas pela Academia Brasileira de Letras, pelo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) e pelos manuais de redação do serviço público.

Essa decisão não é um recuo nos valores inclusivos — é uma escolha técnica com múltiplas justificativas:

CritérioJustificativa TécnicaImpacto no Software
Leitores de telaCaracteres como @, x e símbolos paralelos não são interpretados corretamente por tecnologias assistivasGarante acessibilidade real para usuários com deficiência visual
Conformidade legalEditais, prontuários e documentos oficiais exigem norma culta da língua portuguesaEvita rejeição de documentos em auditorias e órgãos fiscalizadores
Ergonomia textual (UI/UX)Construções paralelas (“alunos/as”, “todxs”) aumentam o tempo de leitura e a carga cognitivaMelhora a legibilidade de telas, relatórios e notificações
Consistência documentalVariações linguísticas não padronizadas geram inconsistências em exportações e integraçõesMantém integridade de dados em relatórios, APIs e integrações
Conformidade com veto presidencialO veto à linguagem neutra em documentos educacionais e administrativos cria risco regulatórioProtege clientes que operam em contextos educacionais e do setor público

Essa política demonstra que inclusão e conformidade técnica não são opostos. Uma linguagem clara, acessível e normativamente correta é, ela mesma, um instrumento de inclusão — especialmente para usuários que dependem de tecnologias assistivas.


Impacto no Lápis 360: DEI na Gestão Educacional

O Lápis 360 é a plataforma de gestão educacional da Seta Sistemas, utilizada por instituições de ensino para administrar alunos, turmas, frequências, avaliações e documentação pedagógica. Nesse contexto, os princípios DEI têm aplicações diretas e cotidianas.

Cadastro e identificação de alunos

A implementação do Nome Social como campo principal afeta diretamente a experiência de estudantes que utilizam nome diferente do registrado em documentos. No ambiente escolar, esse detalhe tem impacto psicológico e social significativo: ser chamado pelo nome com que se identifica, em chamadas, listagens e comunicações, é uma questão de dignidade que o sistema passou a garantir de forma automática.

Documentação pedagógica e relatórios oficiais

Ao mesmo tempo, históricos escolares, atas de resultados, certificados e documentos que transitam junto a órgãos educacionais utilizam o “Nome no Registro”, mantendo a validade jurídica dos documentos. O sistema gerencia essa distinção de forma transparente para o usuário final.

Acessibilidade em telas e comunicações

A padronização linguística garante que notificações, e-mails automáticos e telas do sistema sejam legíveis por leitores de tela usados por alunos e colaboradores com deficiência visual — cumprindo diretrizes de acessibilidade que vão além da lei e refletem um compromisso genuíno com a inclusão.


Impacto no Gestão 360 – Social: DEI no Atendimento Socioassistencial

O Gestão 360 – Social é destinado a organizações do terceiro setor, CRAS, CREAS e entidades que realizam atendimento socioassistencial. É justamente nesse contexto que a política DEI tem o impacto mais profundo, pois o público atendido frequentemente inclui populações em situação de vulnerabilidade, incluindo pessoas LGBTQIA+, migrantes, pessoas em situação de rua e outros grupos historicamente marginalizados.

Prontuários sociais e histórico de atendimento

Em contextos de assistência social, o uso do nome com o qual o usuário se identifica durante o atendimento é fundamental para a construção de um vínculo de confiança e para a efetividade do serviço prestado. O Gestão 360 – Social implementa essa lógica de forma nativa, sem necessidade de configurações adicionais por parte do operador.

Relatórios para órgãos governamentais

Ao mesmo tempo, os relatórios exigidos pelo SUAS (Sistema Único de Assistência Social) e outros órgãos governamentais requerem dados cadastrais formais. A separação entre Nome Social e Nome no Registro permite que o sistema gere esses relatórios com precisão jurídica sem comprometer a forma como o usuário é identificado internamente.

Treinamento e qualidade do atendimento humano

A política DEI não impacta apenas o software — ela se reflete também no atendimento da equipe Seta Sistemas. Colaboradores são orientados a reconhecer e respeitar identidades diversas nos processos de suporte, implantação e treinamento, garantindo que os valores institucionais se estendam além do código para as relações humanas com clientes e usuários finais.


DEI, ESG e LGPD: Governança Integrada

A Política DEI da Seta Sistemas está alinhada a três frameworks de governança que se complementam:

🌱

ESG — Eixo Social

Dignidade, respeito e representatividade como critérios que orientam decisões de produto e relacionamento institucional.

🔐

LGPD

Tratamento ético e seguro das informações pessoais sensíveis, com finalidade clara para cada campo e dado coletado.

🏛️

Governança pública

Conformidade com legislação, editais e normas dos setores educacional, social, jurídico e corporativo.

Essa convergência é relevante para clientes que operam sob controle público ou que submetem relatórios a auditorias. Um sistema que já nasce estruturado segundo esses princípios reduz o risco regulatório e o retrabalho de adequação posterior.


Qualidade de Software como Consequência de Valores Claros

Há uma relação direta entre clareza de valores e qualidade técnica. Quando uma empresa define explicitamente como vai tratar a identidade de seus usuários, como vai estruturar a linguagem de sua interface e quais são as prioridades em situações de conflito entre inclusão e conformidade, ela reduz a ambiguidade no desenvolvimento de software.

Decisões que normalmente provocariam debates prolongados dentro de equipes de produto — “como chamamos esse campo?”, “qual nome exibimos nesse relatório?”, “usamos qual forma linguística nessa notificação?” — são resolvidas antecipadamente pela política institucional. Isso acelera o desenvolvimento, padroniza a experiência do usuário e reduz inconsistências entre módulos do sistema.

Em outras palavras: uma política DEI bem formulada é também uma política de product design.

Conclusão: Inclusão como Critério de Excelência

A Seta Sistemas demonstra que DEI não é um valor paralelo ao produto — é parte constitutiva dele. O modo como o Lápis 360 e o Gestão 360 – Social tratam identidades, nomes, linguagem e acessibilidade não é um recurso adicional: é a própria forma como esses sistemas foram concebidos para funcionar.

Para gestores que avaliam plataformas de gestão educacional e socioassistencial, a existência de uma Política DEI estruturada e tecnicamente implementada é um indicador concreto de maturidade organizacional e cuidado com o usuário final — que, em muitos casos, é exatamente a população que mais precisa ser vista e respeitada. Leia a Política DEI Completa →